sexta-feira, junho 09, 2006

Aos meus caríssimos ex-alunos do Colégio Universitário



Olá moçada!

Conforme prometi, declaro aberto este espaço para aquela nossa (famosa) interlocução filosófica. Bom, algumas coisas têm de ficar bem claras, e algumas regras bem definidas. Uma coisa que me preocupa é como a gente pode travar aqui uma conversa (interlocução) que seja profícua. Olhem só essa palavra! Tenho quase certeza de que a maioria de vocês não sabe o que ela significa. Portanto, lá vai a primeira regra:
Não vai dar para a gente conversar sobre filosofia se vocês não se dispuserem a ser amigos de ao menos um bom dicionário de português. Vamos lá, sem preguiça! Dicionário à mão! Melhor, quem tiver um no computador, mantenha-o aberto (sugestões de dicionários de português eletrônicos: Aurélio Século XXI e Houaiss). Procurem (ou digitem) essa palavrinha esquisita que eu coloquei aí para vocês - profícua. Temos de enriquecer nosso vocabulário. Vocês podem até dizer: ah... eu tenho uma idéia do que é, posso imaginar, inferir o sentido a partir da frase contemplada em seu todo, etc... Bom, ter uma idéia (imaginar, inferir) é algo muito vago que implica uma série de outras coisas. Para a gente compreender qualquer coisa é preciso, de fato, ter ao menos uma idéia dessa coisa. Mas em filosofia é preciso muito mais do que isso. É preciso alcançar uma idéia precisa das coisas, ou seja, do que queremos saber, entender, compreender. E o primeiro passo para isso é conhecer e precisar os termos (e as idéias) que vamos empregar nas questões e respostas.

26 comentários:

juliana oeda disse...

Olá marilia! não vejo a hora de ver o que você tem pra postar de filosofia. Gostava muito mesmo da sua aula.
beijos

Anônimo disse...

Marilia...
Sentimos muito sua falta. Sua saída nos levou a grandes perdas. Lamentamos não poder tê-la conosco.
E esperamos enconta-la em breve para que possamos colocar assuntos em dia!!!!
Mariana Schumacher, Vivian Uemura e Isabela Peron.
{Pessoinhas da S-02}

Anônimo disse...

olá marilia.
vamo começa a ter aulas de filosafia pelo pc então.
vc poderia passar as materias q u nosso professor passa nas aulas, assim fica mais facil de aprender.
bom.. pelo menos as proximas materias. porque a prova dele é amanha já.
nos iremos dizendo qual eé a materia i vc passa aqui..pode ser?
bjos
joao petrus

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Oi moçadinha!Que bom perceber que vocês já deram uma espiadinha no meu blog! Podem deixar que aos poucos o blog será bem alimentado (e ficará bem gordinho). Obrigada pela visita e pelas mensagens. Continuem a visitar e divulgar o blog. E para começar, vai uma dica: assistam amanhã o quadro sobre filosofia “Ser ou Não Ser” do Fantástico. Poderemos, a partir do que será dito, trocar algumas idéias. E, por favor, se quiserem já colocar as dúvidas em relação ao que estão estudando, fiquem à vontade. Independentemente disso, eu mesma estarei a nutrir o blog com assuntos que considero relevantes.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Ah... esqueci de deixar um beijo a todos e também de dizer que sinto saudades.

André disse...

E aí Marília? td certinh?
Você não acha que deveria ter várias ágoras espalhadas pela cidade?(uma ágora de verdade)
(explica p/ galera o que é uma ágora.)
Poderiamos discutir, criticar, etc, varias coisa de cima de uma ágora...
Valewwwwww
Bjus

Ana Carolina,Karina,Luisa S05 disse...

Professora, estamos sentindo muito a sua falta. Achamos que uma aula pelo blog será muito útil. Queremos muito que você volte. Beijos

Luciana disse...

marilia adorei o blog....saudades de voce
beijoss

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Oi André, Ana Carolina e Luciana. Obrigada pelas mensagens. Quanto à sua questão sobre a Ágora, André,assim que eu voltar de viagem postarei algo sobre ela. Um beijo.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Karina e Luísa... ui... agora que percebi que a mensagem vinha em conjunto. Eu também sinto falta de vocês. Obrigada pelo carinho, beijos.

Renata disse...

oiiii Marília.
o blog ficou muito legal =)
agora temos que começar a usar neh?! hehe eu assisto o quaadro zer ou não ser domingo passado e passou coisas que você ja havia nos insinado. lembrei das suas aulas! SAUDADES.
=@
Renata Queiroz

Renata Queiroz disse...

OPS. errei
é SER*

beijo =@

Natalia Ramos disse...

Marília..
eu to morrendo de saudades das suas aulas e eu não sei mais nada de filosofia!Eu nao entendo nada sobre Maquiavel, ia ser legal falar sobre isso aqui.
Esse blog vai ser muito util!!
e vc.. tudo bem?
fiquei muito triste de vc ter saido, sinto sua falta!
um beijo

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Oi Renata. Que bom que você gostou. E por favor, comece a usar. O que vocês estão aprendendo?Que tal fazer uma perguntinha ou tentar esboçar as dúvidas que vocês estão tendo em relação à matéria. Não se acanhe. Questionar é o primeiro passo para saber. Um beijo e obrigada pela visita. Também tenho saudades.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Natália, não se desespere. Vou providenciar algo indispensável sobre Maquiavel. Veja lá!
Um beijo.

getupan disse...

Oi Marília, tudo bem? Olha só, eu não fui seu aluno, mas queria saber se você poderia me adotar...Um abraço.

getupan disse...

Olha só, eu comecei a ler a Fundamentação da Metafísica dos Costumes achando que ia descobrir a diferença do certo e do errado e acabei achando uma resposta para o sentido da vida humana.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Getupan, que tal você se apresentar? Gostaria de saber de que pára-quedas você caiu... rsrsrs... ou será que foi de uma estrela? De qualquer modo, acredito que não há um professor sequer (que se preze, é claro) que negue contribuir para o crescimento de um bom aluno, curioso e interessado em adquirir conhecimento. Um abraço e obrigada pelo comentário gracioso e bem humorado.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Getupan... não entendi o comentário sobre sua busca na Fundamentação da Metafísica dos Costumes. Desculpe-me, mas você poderia explicar melhor o que quis dizer? Como assim um sentido para a vida?
Até!

getupan disse...

Oi Marília! Meu nome é Renato, faço Educação Física no Rio de Janeiro e encontrei você no site do Aguinaldo Pavão. Tava lá, eu navegando em busca de artigos confiáveis sobre Kant e fui encontrando vocês! Fiquei muito feliz por além de poder conferir alguns de seus trabalhos poder também me comunicar com vocês.

getupan disse...

Quanto a FMC o ponto que quero chegar é o seguinte (se eu tiver equivocado por favor me corrija): ao explicar o que era uma boa vontade, Kant chamou atenção para a objeção de que tal idéia podia ser uma “ilusão da imaginação” e o que o propósito da vida nesse mundo era conservar a felicidade. Bom, aí eu me pergunto: se o propósito da vida é ser feliz, então por que seguir uma boa vontade que poderia me ordenar ir contra tal suprema finalidade? Qual é o propósito da vida se eu tiver uma boa vontade? Pode existir uma lei moral que vá contra o propósito da vida? Marília, essas questões dão uma queimação na cabeça...é bom porque se tiver piolho morre tudo carbonizado! Então Kant faz uma defesa da lei moral: se o propósito da vida é conservar a felicidade, então a vontade humana seria determinada pelos instintos que trariam segurança na consecução de tal finalidade existencial. Mas ele mesmo não diz que quem quer o fim também tem que querer os meios? E quem é mais eficaz para relacionar meios e fins, a razão ou o instinto?
Quando Kant introduz o germe do imperativo categórico ele já está dando como refutado a felicidade como propósito existencial simplesmente porque somos racionais. Ser racional implica em refutar a felicidade como propósito da vida? Ou eu não tou entendendo bulhufas, ou isso tá muito mal explicado.
Se Kant não demonstrar com todas as letras que o propósito da vida não é ser feliz, então a boa vontade e a lei moral não poderiam sonhar com a tal universalidade porque outro moralista poderia afirmar que não há nada mais importante neste mundo que ser feliz e a dignidade seria uma criação subjetiva e contingente, uma questão de valoração e perguntar: quem pode me refutar? Não haveria leis morais, apenas acordos sociais para regular a vida das pessoas etc. A lei moral exige apoditicidade (essa palavra existe?Cadê aquele meu dicionário??rsrsrs), mas ela precisa encontrar um bom substituto de direito para o que de fato é o propósito da vida: a felicidade. Bom, cheguei a conclusão de que ninguém pode pensar em questões morais sem pensar profundamente em questões existenciais. Daí eu comentar no seu blog em sentido da vida humana ao ler FMC. Pois se Kant quer marcar um jogo entre acordos sociais e leis morais pra saber quem é que ganha, a razão decide o jogo mas quem apita é o sentido da vida: se eu soubesse com certeza qual era o sentido da vida, não teria dúvidas sobre o que é certo ou errado, se há leis morais ou apenas acordos sociais. Talvez seja por isso que a moralidade religiosa seja tão bem aceita: Deus é quem sabe tudo, ninguém duvida disso, mas também ninguém prova. Kant joga duro racionalizando ao máximo a moralidade... Será que ele consegue racionalizar radicalmente a existência humana e manter a plausibilidade de tal perspectiva? Tou curioso para saber como Kant vai sustentar a realidade da dignidade (isso me lembra o embate filosófico entre Sócrates e Trasímaco. Eu fico imaginando Kant lendo a República e se ruendo de vontade de pular ao lado de Sócrates e “metralhar” Trasímaco com a razão prática). Só que para isso tenho que continuar lendo sua obra. E haja tempo, neurônios e cuspe nos dedos pra passar as páginas.rsrsrs

getupan disse...

Bom, é isso aí. Obrigado pela atenção. Agora quando estiver numa aula chata ou esperando pelo próximo tempo eu já posso pensar no que vou te blogar ao invés de ficar jogando papel em quem passa no corredor ou desenhando nos cadernos.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Oi Renato. Desculpe-me a demora em responder mas ando completamente sem tempo. Sobre as questões que você levantou, infelizmente não as poderei responder pontualmente, mas gostaria que você atentasse para o seguinte: Kant está menos preocupado com temas existenciais e mais com o princípio de determinação da vontade, ou simplesmente com o valor moral das ações. Kant entende que todos os seres humanos desejam a felicidade. A felicidade é um fim irrenunciável. Não há necessariamente conflito entre as obrigações morais que a razão reclama e a busca da felicidade que as inclinações demandam. Contudo, o sentido do §5 da FMC I solicita uma discussão específica. O apelo ao argumento teleológico tem uma função muito mais retórica. Ele é usado por Kant para contestar seus opositores e mostrar que a razão é prática e, portanto, "produz" uma boa vontade.
Bom... acho que para compreender Kant, não há como escapar dessa "queimação na cabeça". Faz parte! Não economize neurônios rsrsrsrs

Sobre Maquiavel, te respondo depois. Um abraço e boa sorte.

getupan disse...

Obrigadúúúúúúúú.

getupan disse...

Oi Marília, tudo bem? Olha só, eu tava dando uma olhada em alguns artigos da Andrea Faggion e notei diferenças na tradução das passagens da FMC que ela cita e a que eu leio. Queria saber se existe alguma tradução que seja mais indicada que outra para produzir artigos. Obrigado.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Oi Renato. Olha, não sei a tradução que você está usando e também não sei que artigos você leu da Andréa. Imagino que a Andréa cite a tradução do Valério Rohden e Udo Baldur Moosburger, da edição d'Os Pensadores, Abril Cultural, 1980, mas não tenho certeza. Eu, em geral, uso essa e sei que o Aguinaldo também. Talvez fosse interessante você fazer um contato direto com a Andréa. Ela também tem um blog agora... muito bom por sinal, como tudo que tenho visto dela. O endereço é http://andreafaggion.blogspot.com/ Tenho certeza de que ela te considerará benvindo (no caso, bem-ido rsrsrs).
Bom. Sei que estou te devendo ainda uma resposta sobre Maquiavel. Eu até poderia tirá-la da manga, mas prefiro responder com mais acuidade. Assim que a correria diminuir eu retomarei esse seu ponto.
Gostaria de te pedir, por favor, para quando vc fizer algum comentário, assinalar embaixo o título da postagem. Isto porque eu recebo um aviso de que há um novo comentário via e-mail, mas não vem onde ele está. Daí que tenho de ficar correndo as postagens (abrindo uma a uma) para descobri-lo. Isso leva um certo tempo... principalmente porque o blog é um pouco pesado e a minha conexão nada boa.
É isso. Obrigada pela visita e até a próxima.