domingo, outubro 24, 2010

Assim não dá!


Algumas coisas são espantosas. É incrível a falta de noção de espaço que certas pessoas têm (e aqui, talvez, em determinadas situações, possamos incluir qualquer pessoa, inclusive eu mesma). Mas aqui o caso é bem específico, e eu não me incluiria jamais.

Explico: tenho em minha vizinhança uma família agitada que fala quase todo o tempo muito alto, especialmente nos finais de semana que é quando eles mais ficam em casa. Minha janela dá de frente para essa casa. Moro num apartamento térreo de uns predinhos, então, é como se eu fosse vizinha de casa. Entre o meu espaço e o dessa família, há um pequeno estacionamento aqui do prédio, afora muitas outras prejudicadas janelas que dão também de frente pra essa casa.

Putz: aquele pessoal fala alto mesmo! Eles começam o ti ti ti logo cedo. Se prestarmos atenção na conversa, podemos nos inteirar facilmente da “vida privada” daquela família (se bem que, adianto, certamente não vale à pena prestar atenção na vida deles). E digo vida privada, mas notem, nem tanto!

Percebo que há ali um casal, mais uma criança de uns 3 - 4 anos (me parece) e uma criança maior (talvez já adolescente). Repito: eles falam ALTO DEMAIS! E o pior, os pais resolvem ouvir música sertaneja no último volume. Quer dizer, a dose é dupla: falam alto e ouvem música muito alta. Aliás: a dose é tripla, pois as músicas são da pior qualidade (ao menos aos meus ouvidos e gosto, e, provavelmente, de muitos outros vizinhos). Talvez eu devesse acrescentar: a dose é Over, pois afora tudo isso a criança chora e faz manha o tempo todo, enquanto a mãe grita. Eles não têm noção (ou fingem não ter noção) do quanto me incomodam.

Tenho uma rotina X que inclui algumas horas de estudo, todos os dias, sejam dias de semana, sábados, domingos ou feriados. Não tenho hora para começar nem hora para terminar. Na verdade faço meu horário a bel prazer e dever. Tenho minhas preferências. Gosto de estudar mais de manhã, mas nem sempre nos dias de semana dá certo estudar mais nesse período do que nos outros (à tarde, à noite ou de madrugada). Porém, nos finais de semana, quando, em geral, minhas filhas saem com as amigas, fico mais livre para me deleitar nos estudos, nos livros de filosofia e literatura que sempre me acompanham, fico mais livre para tirar uma sonequinha fora de hora (claro, eu também mereço), enfim, são dias de descanso. Não estranhem, please! Quem gosta de filosofia, em geral, considera um dia assim (disponível para estudos), um dia de deleite e descanso. Ficar em casa sem ter de fazer nada, só estudar o que gostamos, é como descansar (embora, é claro, temos momentos em que ler, estudar e escrever, com o prazo apertado para entregar um trabalho, produzir uma tese, ou algo assim, é tarefa penosa; mas esse não é o ponto).

O ponto é que hoje xinguei meus vizinhos várias vezes (claro que eles não ouviram, esbravejei comigo mesma). Era domingo cedo e eu trabalhava concentrada. Paulatinamente comecei a sentir um incômodo, pois aquele tradicional burburinho familiar começara a invadir e azucrinar a minha cabeça. De repente, lá pelas dez da manhã, a música sertaneja estuprou de uma vez por todas o meu espaço. Fiquei louca de raiva! Parei, levantei e comecei a andar para lá e para cá, como um animal feroz enjaulado, xingando deus e o mundo. Pensei se seria razoável ir até lá educadamente explicar minha situação de “doutoranda” para a dona da casa, pedir gentilmente que eles contivessem aquela parafernália sonora. Fiquei na dúvida. Eles poderiam reagir de diversas maneiras. No melhor dos mundos possíveis eles, talvez, me atendessem. Mas poderiam também, em mundos cada vez piores, ser indiferentes, debochados, grosseiros e sei lá mais o quê! Fiquei na minha. Tentei várias vezes voltar a estudar, mas não conseguia mais me concentrar. Que droga!

Pensei: será que eles não percebem que estão a violar o princípio da liberdade (da minha e provavelmente de mais toda a vizinhança) de não querer, em hipótese alguma, ouvir aquela música desagradável e em volume excessivo? Será que eles não percebem que tal atitude não se concilia com a liberdade de todos segundo uma lei universal possível? Ok, nem precisamos apertar demais os parafusos. Não vamos exigir que eles entendam o que estou a reivindicar. Um pouco de bom senso bastaria!

quinta-feira, outubro 14, 2010

Minutos de Bobeira

26 de setembro, domingo:

 
 
 
chuvinha melancólica essa
meio mel meio cólica
meio poética e bucólica 
 
 
 
 
 

 
14 de outubro, dia esquisito:
   
hoje acordei epistemológica
depois de um tempo
fiquei patológica

acho que amanhã vou acordar neurastênica
e dormir epistêmica

putz...
a filosofia faz cada coisa com a gente