quarta-feira, junho 14, 2006

Sobre o quadro "Ser ou não ser?" do Fantástico


Foi ao ar no programa Fantástico do último domingo [11.06.06] o quadro pretensamente filosófico “Ser ou não Ser?”, apresentado por Viviane Mosé. O tema do programa configurou-se em torno da concepção de Disputa, Guerra ou Conflito. Viviane Mosé apresentou algumas situações criadas pelos homens, nas quais se dão a disputa, o conflito, ou mesmo a guerra. Entre essas situações pudemos ver algumas competições que fazem parte do contexto de certas culturas indígenas, dos jogos olímpicos e copas do mundo. A concepção de disputa escolhida para desenvolver o tema foi aquela encontrada nas teorias do filósofo Nietzsche. Várias outras concepções de conflito foram ali salpicadas, em especial, a dos gregos em geral (generalização inapropriada a meu ver) e a de Sócrates. Porém, é preciso distinguir bem cada uma delas. Mas isso eu só conseguiria fazer em aulas, ou com um texto de no mínimo 50 páginas (acho que vocês prefeririam aulas rsrsrsrsrs). Do modo como as concepções foram apresentadas, pareceu que Nietzsche e Sócrates convergem em seus pensamentos. Contudo, entre Nietzsche e Sócrates há mais divergências do que convergências. Vale lembrar que Sócrates era um apologista do logos e Nietzsche um contundente crítico do logos (Cadê o dicionário, moçadinha?).

De fato, o tema é bastante instigante, mas confesso que fiquei com uma sensação de frustração. Apesar de se poder considerar a proposta do programa válida, na medida em que, no mínimo, contribui para despertar a curiosidade de alguns (provavelmente poucos) interessados, uma coisa é certa: ele peca por induzir o telespectador à superficialidade e confusão. Esse é o problema de se tentar tratar de filosofia em poucos minutos. Talvez não se deva imputar culpa à apresentadora. A meu ver o programa, por sua própria natureza (a de apresentar o tema em apenas alguns minutos), não permite o aprofundamento necessário para que a obscuridade e confusão dêem lugar à clareza e precisão. A pressa é uma das maiores inimigas da filosofia.

4 comentários:

Diego F. G. Fleuringer disse...

Ao meu ver, tentar tratar de filosofia rapidamente como um assunto corriqueiro (Que calor em? é....) resulta o mesmo que tentar pintar uma obra renascentista em poucos minutos.

Encontramos desse modo a pura confusão; representadas pela conversa sem razão e pela Arte ( ??? ) abstrata....

particularmente não assinto fantastico, mas nunca ouvi um comentario realmente bom sobre esse quadro.

lui fernando disse...

O quadro "ser ou não ser" do Fantástico , pode realmente pecar pela falta de aprofundamento nas questões abordadas , porém ,se olharmos para a enxurrada de bobagens e futilidades que a tv despeja nos lares Brasileiro , o referido quadro sôa como algo inteligente. Creio que a querida filósofa a que me dirijo, tenha uma percepção plena acerca do assunto ; isso está claro em seus textos.Contudo, a sua frustração com o resultado do tratamento dado à questão,perde um pouco de razão se notarmos quão interessante seria se a filosofia fosse matéria discutida no nosso dia a dia , sem ser popularesca ou pretenciosa.

getupan disse...

Oi, não seria tão bom que a tv aberta pudesse dedicar um poquinho de tempo semanal num programa específicamente filosófico que levasse especialistas no assunto para debaterem sobre seus pontos de vista? Ninguém merece mais tanta besteira na tv. Podiam chamar a Marília Côrtes e aí sim não haveria dúvidas que na tv existe conteúdo com beleza! Abraços.

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Que comentário surpresa. Bem hoje que eu estava aqui me consumindo em culpa por perceber que faz tempo que não escrevo no blog. Cheguei a pensar: se eu tinha algum leitor rsrsrsrs, acho que já perdi. E eis que senão quando... recebo esta mensagem de longe no tempo... cheia de idéias. Obrigada pelo comentário. Agora, eu na tv??? ich... sou tímida...rsrsrsrsrs. Um abraço!