domingo, abril 24, 2016

Por sua causa


"Minha esquiva e linda Elena, estou em Paris de novo, por sua causa. Não pude esquecê-la. Tentei. Ao se dar por inteira, você também me tomou inteira e completamente. Você vai me ver? Você não recuou e se retraiu além de meu alcance para sempre? Eu mereço, mas não faça isso comigo, você estará assassinando um amor profundo, aprofundado pela luta dele contra você. Estou em Paris..."

[Anaïs Nin. Delta de Vênus, p. 128]



terça-feira, abril 19, 2016

Hume e João Paulo Monteiro

Before yesterday, meu orientador de doutorado (uma figura sui generis) passed away. Fui sua última orientanda. Na época, a convite de meu colega e amigo Jaimir Conte, escrevi uma resenha sobre a primeira edição brasileira de seu livro 'Hume e a Epistemologia' (revisão do também meu colega e amigo Frederico Diehl). 


Tive também o prazer de trazê-lo a Londrina para uma conferência na UEL, cujo evento foi promovido pelo Departamento de Filosofia; Especialização em Filosofia Moderna e Contemporânea; e Especialização em Filosofia Política e Jurídica.

Em homenagem a ele, deixo aqui 'mon adieu affectueux' e o link de acesso à resenha: 



domingo, abril 10, 2016

Beleza e melancolia


Eis abaixo um exemplo do que Hume chama de "delicadeza do gosto" [delicacy of taste]: uma sensibilidade apurada para a beleza e deformidade nas ações, livros, obras de arte, ciências, etc... Refiro-me aqui, especialmente, à fusão entre pintura, música e poesia que o vídeo apresenta. Antes de assisti-lo, vale lembrar que

"Nada é tão benéfico ao temperamento quanto o estudo das belezas, seja da poesia, da eloquência, da música ou da pintura. Estas [as artes liberais] proporcionam uma certa elegância de sentimento estranha ao resto da humanidade. As emoções que elas excitam são suaves e ternas. Elas libertam a mente das pressões dos negócios e interesses; estimulam a reflexão; predispõem o espírito à tranquilidade; e produzem uma agradável melancolia que, de todas as disposições da mente, é a mais adequada ao amor e à amizade" (Essays I. Of the delicacy of taste and passion, #6).

Then, dear reader, para tornar teu domingo, tua vida e teu gosto mais delicados e sensíveis, take a look ... and... 


Don't explain


Edward Hopper & Nina Simone



quarta-feira, abril 06, 2016

Olvido


Desce por fim sobre o meu coração
O olvido. Irrevocável. Absoluto.
Envolve-o grave como véu de luto.
Podes, corpo, ir dormir no teu caixão.

A fronte já sem rugas, distendidas
As feições, na imortal serenidade,
Dorme enfim sem desejo e sem saudade
Das coisas não logradas ou perdidas.

O barro que em quimera modelaste
Quebrou-se-te nas mãos. [...]


  [Camilo Pessanha, in 'Clepsidra' ]