sexta-feira, junho 09, 2006

Para ilustrar...


Para ilustrar o que disse, vale citar uma carta que o filósofo John Locke (1632-1704) escreveu a Philippe de Limborch [em 12 agosto 1701].

“Eu penso como você que convém evitar toda obscuridade e toda ambigüidade no uso das palavras; mas eu gostaria de acrescentar que mesmo aqueles que querem isso não conseguem sempre evitar a obscuridade. As idéias que se observam no espírito dos homens – e sobretudo daqueles que procuram a verdade – são, com efeito, muito mais numerosas que as palavras de qualquer língua que dispomos para exprimi-las. Disso se segue que os homens (a quem não é próprio inventar à vontade palavras novas a cada vez que eles têm necessidade de significar idéias novas), utilizam a mesma palavra para designar idéias diferentes, sobretudo quando estas lhes são vizinhas. É isto que faz com que, no discurso, a obscuridade e o sentido incerto não sejam raros, quando é necessário vir à precisão e à exatidão. E não é somente o espírito daqueles que escutam que é vítima, mas também o espírito daqueles que falam”.

Bom, moçadinha, é claro que o velho e bom Locke pega pesado aqui. Não precisamos ser tão rigorosos assim. Mas vamos ao menos tentar seguir seus conselhos de modo a não nos tornarmos vítimas da obscuridade e do sentido incerto, nem vitimar aqueles que nos escutam.

Um comentário:

Diego F. G. Fleuringer disse...

Hn.... eu realmente concordo com Locke... Quero dizer, com alguma frequencia costuma me engajar em discussões de ambito politico-religioso-filosófico, e nessas ocasições me consterna que meus ouvintes estajam me compreendendo perfeitamente.
Nessas ocasiões porem costumo apelar para recursos visuais, quando faltam palavras e descrições muito complexas seriam necessarias para ilustrar uma circunstancia simples de maneira precisa, valho-me daquilo que é mais tangivel ao homem do que o som (imagens e as vezes mesmo gestos e desenhos no ar).
Um vocabulario aberto, e um desenvolvimento cultural certamente proporcionam maior capacidade de expressão, o que se faz absolutamente necessario para assuntos como os filosóficos.