quinta-feira, maio 26, 2011

Orgástico Poema

Sempre tive predileção especial pelo poema abaixo de Paulo Leminski que conheci há muito tempo e anotei num de meus caderninhos: hoje resolvi trazê-lo à tona! Ei-lo:

A vagina vazia
imagina
que a página (sem vaselina)
a si mesma se preenche
e se plagia

Essa língua que sempre falo
(e falo sempre)
e distraído escrevo
embora não tão frequentemente
massa falida
desmorona no papel
                               quando babo
e acabada em texto
eu acabo


Bom, é claro que não pretendo aqui cometer o crime de explicar o poema, pois ele fala por si mesmo. Mas já que eu disse que tenho predileção especial por ele, vou ao menos explicar por que a tenho.

A meu ver o poema é genial (além de sexual) por ao menos dois motivos: primeiro pela métrica poética e musical das rimas "vagina, vazia, página, vaselina, plagia (ina, ia, ina, ia, ia); segundo, pela associação entre as ideias de "vagina e falo, língua e falo", que suscita a ideia de que quem escreve, e escrever tem relação (no caso aqui ambígua) com a língua, escreve, eu dizia, como quem faz sexo, portanto, como quem, ao escrever, ejacula e, ao atingir o clímax, escorre (baba e desmorona) em palavras. Ejacular palavras é, aqui,  gerar um texto: um esforço de quem se acaba e, ao fazer assim, acaba também o poema.

Caramba, acabo de me sentir acabada!

quarta-feira, maio 18, 2011

GOL CONTRA

Há uma semana estive, por conta da GOL, num hotel em Porto Alegre. Eu teria de dormir uma noite em POA porque a GOL fez alterações na “malha aérea” e mudou meu voo para um horário no qual eu chegaria atrasada para meus compromissos. Com a mudança a “melhor opção” foi aceitar viajar um dia antes e ficar num hotel. Claro que eles se responsabilizariam em me levar do aeroporto a um hotel, evidentemente pago por eles, e, no dia seguinte me levar de volta ao Aeroporto, d’onde eu iria até a estação de trem rumo à São Leopoldo. Na verdade eu reivindiquei isso para aceitar a mudança.

A princípio tudo bem, afora o porre de aeroportos que tomei. Saí de Londrina no início da tarde passando por Curitiba e São Paulo. Please, não me perguntem a lógica de ir de Curitiba para São Paulo e de lá para POA, pois a GOL se autodenomina Linhas Aéreas Inteligentes. Só sei que com tanta inteligência a viagem (entre sobe, desce e espera) foi de quase 9 horas. Mas até aí tudo bem. Mesmo tendo pavor de avião encarei numa boa (sei que sou uma pessoa um tanto tolerante). Pensei que ao menos chegando lá eu descansaria num hotel, no mínimo, básico; um hotel, digamos assim, padrão business (tipo Ibis, Sol Inn ou afins), resumindo, um hotel clean (afinal, não sou cheia de frescuras e jamais esperaria que eles me mandassem para um cinco estrelas).

My god, quando cheguei lá, em torno das 22:00 hs, achei tudo meio esquisito, a atmosfera pesada, com cara de zona do meretrício. Mendigos dormiam pelas calçadas e também embaixo do viaduto que era logo ali. O lugar parecia ser de alto índice de periculosidade. Até aí tudo bem, pensei, cheia de tolerância... (haja tolerância). Entrei logo e, claro, não gostei nem um pouco. Detalhes à parte, o hotel era de um profundo mau gosto. Bom, até aí, eu repetia a mim mesma, tudo bem... Ah... como eu queria acreditar que “tudo estava bem”! Só que as coisas estavam cada vez piores.

Fiz minha ficha, peguei minha chave e subi não me lembro pra qual andar. Afff, quando saí do elevador levei um susto. Os corredores eram meio sinistros, mofados e mal acabados. Tudo parecia “de quinta”. O pior foi quando abri a porta e entrei no quarto. Levei um choque. Tudo, sem exceção, era pra lá de chinfrim, e eu só conseguia dizer: não acredito! não acredito! não acredito que a GOL me mandou pra um lugar como esse! Tentei me acomodar mas não consegui. Em 10 minutos liguei para a recepção e perguntei: moça, vocês só têm esse padrão de quarto?

Ela me perguntou: por quê? Não está bom?
Respondi: Claro que não!
Ela: ah, então desça aqui que eu vou te dar um que você certamente vai gostar.

Well, desci com um pouco de esperança (mas só um pouco), porque decididamente a aparência geral do hotel não era nada agradável. A recepcionista me deu um outro quarto que ela mesma denominou upgrade (que é o luxo), e garantiu que eu ia gostar. Ao pegar a chave perguntei a ela: a Gol manda seus clientes para este quarto? Ela disse um sim meio disfarçado e se apressou em acrescentar que a GOL autorizava acomodações também num quarto upgrade. Só não entendi por que ela não me mandou logo para um desses. Provavelmente ela arriscou. Se eu não reclamasse, ficaria por lá mesmo! De qualquer modo, fiquei mais tranquila e subi. Antes, passei pelo restaurante para jantar (e nem vale a pena perder tempo falando disso, a impressão ruim era a mesma). Quando saí do elevador, outra decepção. O corredor era igual ao anterior: muito esquisito! Dirigi-me desconfiada para o quarto e abri a porta. O mau gosto era o mesmo, mas as acomodações eram melhorzinhas (padrão luxo rsr, mas o luxo deles):o quarto era enorme, com uma cama de casal e duas de solteiro, umas colchas cor de burro quando foge, iguais as do quarto anterior, cortinas velhas e encardidas, mesinha redonda com cadeiras (meio caquéticas), porém, com TV de LCD (grande coisa), bancada de estudo, internet que, apesar de free, não conectou de jeito nenhum. Eu repetia: tudo bem, Marília, você só precisa tomar um bom banho e de uma boa noite de sono. Amanhã será outro dia!

Antes do banho resolvi arrumar a cama. Peguei um acolchoado no armário e, eis que senão quando, vi que ele estava sujo, com cara de não lavado (não é mal lavado é não lavado mesmo) e com algumas manchinhas meio marrons (não me perguntem do que eram, pois não gosto nem de imaginar...). Pensei: e agora? Vou ter de encarar isso? Expressei um aiiii de quem estava sofrendo e vi que sim, eu teria de encarar, pois já era bem tarde e eu achava que nem adiantaria mais reclamar. O padrão era aquele. A contragosto puxei o lençol (este parecia limpo) e estendi o edredom por cima, de modo a que ele jamais tocasse em mim. Deixei ali e fui para o banho. O banheiro era bem vagabundo, mas eu precisava de um banho e descanso.

Retirei-me por um minuto do banheiro pra pegar umas coisas na mala e quando voltei, pasmem!!! vi uma barata tonta, gigante e horrorosa (como todas) vindo em direção ao meu pé. A sorte dela é que não tive (nem tenho) coragem de matá-la com um pisão. Dei um grito pra não perder o costume e honrar a sensibilidade das mulheres, saí correndo, fechei a porta e liguei na recepção. Um rapaz atendeu e disse que iria subir pra resolver, isto é, ele iria matar a barata. Ele subiu, só que a barata sumiu. Pedi um veneno qualquer, tipo spray, para caso eu a visse de novo. Mas eles não tinham. Dá pra acreditar?

Bom, ela sumiu mesmo e eu passei, por medida de segurança, a noite toda com a TV ligada (pra não ficar totalmente no escuro) e a impressão de que a qualquer momento aquela coisa horrorosa iria aparecer e meu mundo desabar. Quer dizer, não relaxei, não dormi, não descansei! Eu só rangia os dentes e pensava: putz, é assim que a GOL trata os seus clientes? Acho que não é preciso dizer mais nada! Fiquei indignada e estou aqui registrando a minha profunda insatisfação com o tratamento que a GOL me dispensou! Ora, se a GOL é uma marca que sugere o que um GOL significa, certamente ela marcou um GOL contra!