quinta-feira, outubro 20, 2011

Ah... Rigoberto Rigoberto Rigoberto...




O FETICHISMO DOS NOMES

Tenho o fetichismo dos nomes e o teu me empolga e me enlouquece. Rigoberto! É viril, é elegante, é brônzeo, é italiano. Quando o pronuncio, em voz baixa, de mim para mim, uma cobrinha me percorre as costas e se me gelam os calcanhares rosados que Deus me deu (ou se preferires, descrente, a Natureza). Rigoberto! Risonha cascata de águas transparentes. Rigoberto! Amarela alegria de pintassilgo celebrando o sol. Onde estiveres, estou eu. Quietinha e apaixonada, bem ali. Assinas uma letra de câmbio, uma conta a pagar, com teu nome tetrassílabo? Eu sou o pontinho em cima do i, o rabinho do g e o chifrinho do t. A manchinha de tinta que fica no teu polegar. Te alivias do calor com um copinho de água mineral? Eu, a bolhinha que te refresca o paladar e o cubinho de gelo que arrepia tua linguinha de víbora. Eu, Rigoberto, sou o cordão dos teus sapatos e a pastilha de extrato de ameixa que tomas a cada noite contra a constipação. Como sei esse detalhe de tua vida gastrenterológica? Quem ama sabe, e tem por sabedoria tudo o que concerne ao seu amor, sacralizando o detalhe mais trivial da pessoa. Diante de teu retrato, eu me persigo e rezo. Para conhecer tua vida tenho teu nome, a numerologia dos cabalistas e as artes divinatórias de Nostradamus. Quem sou? Alguém que te ama como a espuma à onda e a nuvem ao rosicler. Procura, procura e encontra-me, amado.

Tua, tua, tua
A fetichista dos nomes

Llosa, Mario Vargas. Os cadernos de dom Rigoberto. Tradução de Joana Angélica d'Ávila Melo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2009, p.22.

5 comentários:

Elizia Borboleta disse...

que sensualidade mais sútil, adorei!
merci!

Marília Côrtes disse...

É verdade... sutileza é o que não falta nesse livro arrebatador! thanks pelo comentário... bjos

Marília Côrtes disse...

ah... e sensualidade, volúpia, lubricidade, genialidade e beleza literária também não faltam de jeito nenhum!

Pedro Vieira disse...

Oi, Marília! Tudo bem?
Estou escrevendo só pra contar que terminei hoje a última etapa na seleção de mestrado na UFPR. Na prova escrita caiu a Investigação sobre o entendimento humano, do Hume. Certamente aquelas aulas no primeiro ano foram muito importantes. Valeu!
Saudades! Tudo de bom!
Beijo,
Pedro.

Marília Côrtes disse...

Oi Pedro... que legal, fico muito contente com isso. Incrível saber que boa parte daquela turma de iniciantes se formou este ano (vi o movimento de defesas pelo facebook). Mestrado na UFPr? (maravilha). Bom, desde o começo você já se revelou um garoto "prometido".Tenho certeza de que você terá uma brilhante carreira acadêmica. Boa sorte! Obrigada pela lembrança, um beijo... tenho saudades também.