quinta-feira, fevereiro 18, 2010

Sem mais quê nem pra quê

Outro dia, quando trabalhava na tese, dei de cara com aquelas dúvidas crueis de como usar um termo, ou como se escreve uma palavra. Era um simples que! Mas tive dúvidas se naquele contexto ele deveria levar acento ou não.

Mais do que depressa me dirigi a um dos meus queridos dicionários. Abri meu Aurélio Eletrônico Século XXI:

E dá-lhe que daqui, dá-lhe que de lá:
Pronome interrogativo, pronome exclamativo, pronome relativo, advérbio, preposição, conjunção coordenada aditiva, alternativa, subordinativa, comparativa, conjunção subordinativa integrante, concessiva, causal, final... ufa! No final, partícula expletiva: expeli um PQP em alto e bom tom de tanto que!

Mas o mais interessante disso tudo foi clicar num daqueles livrinhos do dicionário que mostram o uso desse monte de que, e ler ali nas conjunções coordenativas aditivas o seguinte pequeníssimo trecho do livro Despedidas, do poeta português Antônio Pereira Nobre (1867 -1900).

“Passo os dias metido em meu moinho,
E mói que mói saudades e tristezas”

Tudo a ver... shuiff!

[The Mill - Van Rijn Rembrandt (1606-1669)]
(óleo sobre tela)

2 comentários:

Maria Teresa disse...

Que delícia de descoberta! Não é que o elenco enfadonho dos quês funcionam como um arco-íris com pote de ouro na ponta e tudo?
Bjos

Marília Côrtes disse...

Oi Maria Teresa... viu só? adorei seguir o caminho dos quês. Obrigada pelo comentário (muito gracioso e bem "sacado").
bjos