Em novembro de 2025, minha aluna e orientanda Isabella D’Aquino Marcondes Noronha, a quem chamo de Bella, defendeu seu TCC:
Título do trabalho: “A erotização da violência sexual como produto da socialização feminina e da ideologia queer.”
Bella foi minha aluna no primeiro e no terceiro ano. No quarto, minha orientanda de TCC. Mas, em meio a isso, de 2022 a 2024, foi minha orientanda de Iniciação Científica (PIBIC) com bolsa da Fundação Araucária, e integrante de meu grupo de estudos “Mulheres na Filosofia”. Ou seja, acompanhei sua formação em todos os anos do curso.
Ela chegou à UENP, em 2021, justamente no primeiro ano em que a disciplina sobre “Questões de Gênero e Filosofia Feminista“ havia entrado no currículo de nosso curso. E eu, por ter tido contato com essa temática num evento que coordenei em 2019, e também por ser a única mulher de nosso colegiado, fiquei encarregada de ministrá-la. Eu não sabia quase nada sobre o assunto, pois em toda a minha formação só estudei filósofos (e não filósofas) ─ bem sabemos os motivos. É claro que passei a estudar o tema como louca para dar conta da tarefa.
Logo de cara, percebi que a Bella sabia muito mais sobre o assunto do que eu. E a partir daí começamos a “trocar figurinhas”. Um dia chego à UENP e ela havia me levado de presente um livro ─ A Criação do Patriarcado, de Gerda Lerner (obra fundamental para quem pretende tratar dessas questões) ─ com uma dedicatória fofíssima. Passei a estudá-lo e começamos a discuti-lo nas reuniões do grupo de estudos. Dali para a frente, foi só parceria, amizade, trocas, orientações, confidências e muito trabalho.
As questões envolvidas nessa temática são polêmicas, sacodem crenças, inflamam opiniões, tocam feridas e toda uma gama de preconceitos. É preciso mesmo ter muita coragem para pensar, escrever e falar sobre elas. Em muitos casos, opiniões divergentes podem gerar confusões, críticas ferozes, difamações públicas, cancelamentos, processos, enfim, o assunto habita um campo minado, sobretudo quando traz para o debate questões sobre transgeneridade. Bella, compreensivelmente, titubeou várias vezes, pensou em desistir tantas outras, mas afrontou o temor e, com muita coragem, resistiu às dificuldades que o assunto e a própria vida pessoal apresentavam.
Destaco aqui alguns resultados de suas (e nossas) pesquisas: a publicação conjunta de um artigo intitulado “O problema do gênero segundo o feminismo de raiz”, publicado na PRISMA – Revista de Filosofia, da Universidade Federal do Amazonas (UFAM, Vol. 6, no. 1, 2024). Resultantes desse estudo e publicação foram apresentados trabalhos em dois Encontros de Filosofia da UENP (Jornadas de Debates) e na XX ANPOF/2024, em Recife-PE, com publicação no Caderno de Resumos dos eventos. Destaco também os seguintes textos e comunicações: i) “Opressão, subordinação e privação”, publicado nos Anais do IX Encontro de Integração da UENP/2023; ii) “Da desconstrução à desarticulação: pós-estruturalismo e suas implicações para o feminismo”, publicado nos Anais da VII Jornada de Educação em Sexualidades do Paraná (JORESP) & II Congresso de Educação em Sexualidades Crítica (2024); iii) “A crise do sujeito no feminismo: reflexões a partir do pós-estruturalismo”, publicado nos Anais do X Encontro de Integração da UENP/2024.
[Por aí se vê a importância do engajamento de nossos alunos nos Programas de Iniciação Científica. Bem trabalhados, tais programas conduzem as alunas e alunos a realizarem ótimas pesquisas e seguirem, se assim desejarem, uma carreira acadêmica promissora].
Seu TCC é resultado de todo esse caminho e produção. De acordo com alguns comentários da banca, faltou muito pouco para seu TCC ser considerado uma Dissertação de Mestrado prontinha da silva. Em sua apresentação e defesa, Bella emocionou a todos e todas com um texto no qual falava de suas motivações para escrever o trabalho. Levou um 10 bem redondinho pelo texto escrito, pela apresentação oral e pelo comprometimento impecável com seus estudos. Ela colou grau em fevereiro/2026, saindo da UENP com uma bagagem mais do que suficiente para se engajar num mestrado.
Ontem soube que ela passou na seleção de mestrado da UNESP de Marília. E o mais interessante foi que, por conta das linhas de pesquisa da mencionada universidade, ela teve que produzir um novo projeto, num tema completamente distinto. E sei que ela fez isso a toque de caixa, trabalhando loucamente, quase sem tempo para respirar. Com isso quero dizer que essa moça vai longe e merece MEUS PARABÉNS em letras garrafais. Apostei muito nela e só tenho a agradecer a troca e parceria nesse amor ❤ e dedicação à sabedoria.





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