sexta-feira, março 31, 2017

Amor

[ Vénus et Eros 1810 | Charles Paul Landon | 1760-1826 ]

"Se, ao menos, de leve tocar-te, ou nem isso, apenas tangenciar-te, se ao menos, num ínfimo instante, apossar-me de ti, aprisionar-te, encarcerar-te, ou nem isso, apenas de leve roçar-te, ou nem isso, apenas pressentir-te, predizer-te, prefigurar-te – ou quem sabe poder amaciar a tua dor, proteger-te, guardar-te, encerrar-te em uma cúpula onde mal algum possa alcançar-te, onde nada jamais possa ferir-te ou magoar-te, ali onde permaneçamos colados e calados, alados e intocados, ali onde permaneças tu comigo e eu permaneça contigo, sempre e sempre e sempre e sempre." 

[ Ygor Raduy | Amor | in: Pequeno Manual de Coisas Absolutamente (Ir)Relevantes ]

2 comentários:

Ygor Raduy disse...

Querida Marília, é sempre com tanto prazer que encontro um texto como esse aqui tão cuidadosamente exposto e vinculado a uma tão sugestiva cena mitológica, certamente escolhida a dedo. A delicadeza dessas duas figuras acaba em tormento para os mortais. Veja-se no texto a ânsia de domínio que fantasia encerrar ternamente o amado em uma cúpula para usufruto exclusivo do carcereiro-amante. Sempre. E sempre. E sempre...

Marília Côrtes disse...

Querido Ygor, é sempre também com muito prazer que leio, ouço, contemplo e desfruto da delicadeza de tua poesia, da sensibilidade de tuas percepções. Como pobre mortal, ai de mim, atormento-me com essas duas belas e delicadas figuras. Sempre. E sempre. E sempre... 💕💕💕