quarta-feira, março 16, 2011

Impressões, ideias e desculpas esfarrapadas

Bom, se me restam alguns leitores (ou leitoras) depois de tanto tempo de abandono, devo-lhes dizer:

Caros leitores, tenho um milhão de desculpas (a maioria bem ruinzinha) por tê-los abandonado. Sendo assim, em vez de ficar aqui apresentando desculpas esfarrapadas, vou tentar (sem garantia de conseguir) oferecer uma (e apenas uma) justificativa que seja boa, para toda essa minha ausência.

É comum ouvirmos dizer que todo aquele que escreve e publica o que escreve (ou que faz da escrita o seu ofício), volta e meia passa por um período de bloqueio mental, uma espécie de paralisia imaginativa, infertilidade criativa, ou esterilidade de ideias. Mas todo esse tempo que fiquei afastada, que deixei de escrever aqui, não foi por conta de um período de bloqueio mental, pois minha mente continuou a trabalhar, e muito, com coisas que prestam, e um pouco também com coisas que não prestam. Quero dizer, minha mente pensou esse tempo todo (ainda que tenha pensado muitas bobagens).

Tampouco minha imaginação se encontrou paralisada, estéril ou vazia de ideias, pois, se Hume estiver certo quanto às nossas ideias serem cópias de impressões, minha mente está sempre repleta delas e nunca propriamente vazia. Isto porque eu sou (e todo eu seria) um feixe de diversas percepções, quer dizer, minha mente ou meu pensamento seria, digamos assim, um palco no qual se sucedem muitas ideias que, por sua vez, são cópias de minhas diversas impressões. Cada parte minha, cada sentido, cada poro meu está o tempo todo recebendo impressões, lendo e percebendo o mundo, isto é, formando ideias.

Nesse caso, acho que posso dizer que formei muitas ideias todo esse tempo (mas, ironicamente, não escrevi aqui nenhuma). Por quê? Por que não tive vontade? Não! Eu tive! Talvez uma vontade débil, mas tive. Por que, então? O que me impediu? Preguiça? Essa é uma boa hipótese! Excesso de trabalho? Falta de tempo? Essas não me parecem muito boas! Dispersão pura? Essa certamente contribuiu bastante! Falta de coragem? Talvez! Escrever, emitir opiniões, torná-las públicas, requer coragem. Tática? Não creio! Tática pra quê? Só se for pra perder leitores (rsr). Obstáculo emocional? Humm... num certo sentido sim! Às vezes meu coração trava. Sim, eu escrevo com a cabeça, com a mente, com o cérebro, mas escrevo com o coração também (e os dedos, of course). What else? Faltou impulso, ímpeto, disposição? Sim, faltou! Viajou? Yes, viajei!


5 comentários:

Maria Teresa disse...

Mas ainda bem que voltou! Seja bem-vinda.
Beijos

Marília Côrtes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Borboleta disse...

é minha querida má, nenhuma desculpa é convincente, senão seria uma razão! mas, o bom mesmo é quando as impressões fazem transbordar idéias pelas pontas dos dedos, aí falta é desculpa para deixá-las sair! um beijinho e sorte neste momento!

Marília Côrtes disse...

petite butterfly... razões não faltaram, o problema é que não eram boas razões rsrs.

quando minhas ideias transbordam pelas pontas dos dedos faltam motivos para eu não deixá-las sair... beijinhos, gracias e pra vc também... já que compartilhamos dessa "aventura"!

Marília Côrtes disse...

Oi Maria Teresa... coincidentemente hoje entrei no seu blog e gostei bastante do que li. Quer dizer que me resta ainda uma leitora? kkk. Que bom, vou tentar não abandoná-la por muito tempo. Essa fase de final de tese deixa a gente louca (e às vezes travada)(olha eu aí mais uma vez com desculpas esfarrapadas rsrs). obrigada pela visita e pelo bem-vinda. um beijo!

16 março, 2011 19:21

[Comentário retirado, corrigido e publicado novamente]