terça-feira, novembro 07, 2006

Sobre o fim do mundo V e VI (continuação)


Existiria então algum meio de salvação?
Se entendermos o fim do mundo como certo e infalível, não. Aquilo que é certo e infalível não tem como deixar de acontecer. Se o entendermos como apenas provável – uma hipótese - sim, pois na esfera das probabilidades encontra-se a contingência. Para cada evento apenas provável ao menos um evento diferente tem de se apresentar como possível e, talvez, este evento diferente viesse a se apresentar como a salvação. As hipóteses estão aí para serem confirmadas ou refutadas.

Na sua opinião o fim do mundo está relacionado a atitudes humanas ou a algo divino?Bom, como você deve ter percebido, para mim o fim do mundo pode e deve ser pensado a partir de algumas hipóteses. Sendo assim, essa resposta dependerá de qual delas eu assumo para pensar como esse fim poderia vir a acontecer. Não tenho a menor simpatia em relacionar o fim do mundo a algo divino. Sou bem mais simpática às teorias que a ciência oferece, como por exemplo, aquela que relaciona esse fim (do planeta terra) a eventos naturais que podem, num certo sentido, ser atribuídos (com muita cautela) a atitudes humanas de constante destruição. Porém, se de repente soubermos que um enorme meteoro vem, numa velocidade estonteante em direção a terra, e que não há como ele não se chocar com ela, não podemos atribuir essa causa a atitudes humanas. Certamente muitos poderão relacionar esse fato a causas divinas, mas, como já indiquei, considero tais atribuições supersticiosas e arbitrárias. Não há nenhuma causa humana (e divina, já que não tomo essa hipótese como razoável) na prevista morte do sol (cientistas calculam que será daqui a 6,5 bilhões de anos, e que quando isso acontecer a Terra já terá sido consumida numa enorme nuvem incandescente, ao menos 1,5 bilhão de anos antes). Mas sabemos que os homens também têm um certo potencial de provocar paulatinamente uma destruição do mundo (ao menos em termos de planeta terra), seja esgotando irresponsavelmente os recursos naturais de modo a provocar cada vez mais catástrofes e calamidades, seja (de maneira mais radical) explodindo bombas atômicas de potências avassaladoras. Li outro dia uma reportagem que diz que o relatório de 2006 (não sei de que pesquisa) mostra que os seres humanos já usam dos recursos naturais do planeta 25% a mais do que a capacidade que a natureza tem de regenerá-los, o que significa que se continuarmos nesse ritmo, em 2050 (cálculo que a pesquisa fornece), precisaremos de dois planetas Terra para proverem nossas necessidades. Em vista de tudo isso, penso que é preciso determinar dimensões, proporções e considerar várias causas concorrentes para se responder com um mínimo de plausibilidade a essa questão.

2 comentários:

Everson Schimiti disse...

O que me fez pensar sobre esse assunto foi mesmo essa relação entre o fim do mundo individual, que é o que eu acho de maior significância, e a visão do mundo como planeta e coletividade. Tenho procurado deixar de lado os pensamentos que envolvem a coletividade, e sociedades humanas, prá não ficar depressivo... Parabéns pelo seu texto! Bjs!

Marília Côrtes de Ferraz disse...

Oi Everson
Que bom que você apareceu por aqui.Obrigada pelo comentário. Fiquei pensando... mesmo que deixemos de lado os pensamentos que envolvem a coletividade e sociedades humanas, quer dizer, mesmo que olhemos só para a gente, não estamos livres da depressão rsrsrs.
bjs!