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sábado, julho 06, 2013

Absence as inexorable necessity

Folheando pra cá e pra lá um de meus fiéis companheiros, Barthes, in Fragmentos de um Discurso Amoroso, encontro o sentimento de ausência expresso num koan budista. Ele responde à seguinte pergunta (que no livro está implícita) de um discípulo a seu mestre :

- Mestre, o que é a verdade?
"O mestre conserva a cabeça do discípulo sob a água, por muito, muito tempo; pouco a pouco as bolhas se rarificam; no último instante, o mestre tira o discípulo, o reanima, e diz: - quando tiveres desejado a verdade como desejaste o ar, então saberás o que ela é".

Barthes, acrescenta: "a ausência do outro me conserva a cabeça sob a água; pouco a pouco sufoco, meu ar se rarefaz..." (p.31).


Photography
Rafal Makiela

quinta-feira, fevereiro 25, 2010

Liberdade e Vontade em Locke

Recentemente publicado (set/dez/2009) na Revista Filosofia da Unisinos (volume 10, número 3) um artigo meu sobre Liberdade e Vontade em Locke http://revistas.unisinos.br/index.php/filosofia/article/view/5027

Eis o resumo:

Este artigo visa à apresentação e análise interna do compatibilismo de Locke, ou seja, da tese lockeana de que a liberdade é compatível com a necessidade natural. Para tanto, é focalizado o capítulo Do Poder (cap. XXI, livro II do Ensaio sobre o Entendimento Humano), em que Locke examina os conceitos de liberdade e vontade. Este estudo pretende mostrar que, embora Locke, por vezes, pareça se comprometer com teses incongruentes com o compatibilismo, ele é, essencialmente, um compatibilista. A impressão de que Locke defende teses incompatibilistas é desfeita, quando ponderamos com atenção o seu argumento geral sobre vontade e liberdade. Locke defende textualmente que o voluntário não se opõe ao necessário. Como compatibilista, ele sustenta que a vontade não é livre. Assim, o homem livre não pode ser aquele que é livre para querer. Um homem considerado como agente livre é aquele que tem liberdade de ação e não liberdade da vontade.

Palavras-chave: liberdade, vontade, compatibilismo, escolha, necessidade

sábado, agosto 29, 2009

Hume e a crença na vontade livre

Na seção VIII da Investigação sobre o Entendimento Humano, Hume observa que “mais da metade dos raciocínios humanos” estão baseados em expectativas “acompanhadas de maiores ou menores graus de certeza” (IEH VIII i 20: 122) sobre como os seres humanos se comportarão em determinadas circunstâncias. Tais expectativas, de acordo com sua teoria, estão fundadas na observação e experiência passadas da uniformidade e regularidade de seus comportamentos. Hume argumenta também que é possível perceber que, embora criemos expectativas em relação ao comportamento dos homens e esperemos que eles ajam de acordo com elas, quando consideramos a nós mesmos, a escolha da ação nos parece livre. Quer dizer, quando somos nós que agimos, para cada ação que praticamos, sentimos que somos livres ─ o que não constitui propriamente um problema para Hume, haja vista ele, ao admitir que possuímos liberdade da ação, esposar a tese de que nós de fato somos livres. Mas o fato de nos sentirmos portadores de uma vontade livre é problemático, à medida que Hume não admite a liberdade da vontade. Segundo Hume, temos uma “falsa sensação ou experiência aparente de liberdade ou indiferença [...] em muitas de nossas ações” (IEH VIII i 22 nota: 125). Ele afirma: “Sentimos que nossas ações estão sujeitas à nossa vontade na maioria das ocasiões, e imaginamos que sentimos que a vontade, ela própria, não está submetida a nada” (IEH VIII i 22 nota: 126), isto é, sentimo-nos livres da determinação natural ou da necessidade. Ora, por que isso acontece? Por que do ponto de vista do observador sentimos a necessidade das ações e do ponto de vista do agente não a sentimos, ao contrário, sentimos que nossa vontade é livre? Hume é enfático ao afirmar que “os atos da vontade decorrem da necessidade” (T 2.3.1.15: 441) e que quem nega isso não sabe o que diz. Ao constatar que os homens resistem a esse princípio, o autor reflete sobre quais seriam as razões que fazem com que toda a humanidade tenha tamanha relutância em expressar verbalmente a admissão da doutrina da necessidade, tanto na prática quanto nos raciocínios e, ao mesmo tempo, demonstre tamanha inclinação para defender a da liberdade. Com base nisso, pretendo expor e analisar as razões que, segundo Hume, levam os homens a assumirem a crença na vontade livre.

sábado, outubro 13, 2007

Operações da Matéria e Ações da Mente: A Tese Humeana da Unidade Explicativa



Unioeste: Campus de Toledo: de 15/10/2007 a 19/10/2007

Resumo: Hume oferece na Investigação sobre o Entendimento Humano (IEH) e no Tratado da Natureza Humana (T) importantes reflexões que visam elucidar a controversa relação entre liberdade e necessidade — ou seja, em que sentido esses conceitos são compatíveis ou incompatíveis. Hume, em seu exame das noções de liberdade e necessidade anuncia introduzir novidades que prometem ao menos algum resultado na decisão dessa controvérsia. Ele propõe um “projeto de reconciliação (reconciling project)” que consiste em mostrar que liberdade e necessidade são perfeitamente compatíveis entre si, e que afirmar que as ações humanas são livres não é afirmar que estejam misteriosamente fora do âmbito da necessidade, mas apenas que se realizaram sem constrangimento. A chave para a reconciliação humeana verteria sobre o significado da palavra ‘necessidade’ em sua discussão sobre a necessidade causal - uma consideração que torna a causação das ações compatível com a liberdade. Do ponto de vista humeano, não é preciso, nem justificável, qualquer comprometimento ontológico com a existência de um poder causal nos objetos ou a adesão à velha metafísica das causas primeiras. A necessidade é uma idéia e, como tal, só pode ser encontrada na mente de quem observa as coisas e não nas próprias coisas. Segundo Hume, nada que possamos observar em um objeto ou evento anteriormente à experiência provê uma razão para esperarmos que algum tipo de efeito se siga necessariamente a outro. Percebemos tão-somente conjunções constantes entre aquilo que costumamos designar como causa e seu efeito e, através disso, percebemos que um evento segue-se regularmente a outro. Os princípios epistemológicos que fundamentam a teoria de conhecimento humeana, relativos às idéias de liberdade e necessidade, são os mesmos para ações dos corpos e ações da mente. Nesse sentido, há, na teoria de Hume, um monismo explicativo ou metodológico, ou, como se poderia dizer, um monismo epistemológico. Hume mostra que a partir da inferência das motivações para as ações voluntárias podemos explicar o conhecimento histórico, a política, o fundamento da moral e a crítica estética. É evidente que não escapa a Hume a impossibilidade de explicar todos os aspectos da vida humana. O que ele busca é uma estrutura geral dentro da qual essa tarefa pode ser feita. A ciência humeana do homem intenta explicar os diversos fenômenos da vida humana apelando a princípios gerais, tal como a teoria newtoniana proveu explicações de por que as coisas no mundo da natureza acontecem como acontecem. Pode-se dividir a disputa sobre a necessidade e liberdade em dois problemas: um de ordem epistemológica e outro de ordem moral. O epistemológico é se as ações humanas são, de fato, causalmente determinadas por condições antecedentes. O moral refere-se às implicações do determinismo para a moralidade em geral e, especialmente, para a responsabilidade moral. Nesta comunicação pretendo discutir as conseqüências epistemológicas do compatibilismo humeano.

quarta-feira, abril 11, 2007

Artigo na Dissertatio (UFPel)



Segue abaixo artigo meu publicado na Revista Dissertatio de Filosofia da Universidade Federal de Pelotas [n.24]

O Compatibilismo em Hobbes
 

Resumo: De acordo com Hobbes, a liberdade deve ser entendida como ausência de impedimento ao movimento de um corpo qualquer. O autor de Of Liberty and Necessity acredita que todas as coisas que acontecem, incluindo toda ação humana, são efeitos necessários de causas antecedentes. Ele não reconhece a existência de uma vontade livre, embora admita que existam ações livres. Hobbes pensa, como compatibilista, que a liberdade da ação é consistente e compatível com a necessidade. Neste artigo faço uma análise dessa concepção.

Palavras-chave: compatibilismo, necessidade, liberdade, ação, responsabilidade moral

terça-feira, junho 20, 2006

O Príncipe de Maquiavel


Caros ex-alunos

Soube que teve gente desesperada por não saber nada de Maquiavel. Para tentar aliviar esse desespero, administro aqui uma gotinha do que significa virtude para o príncipe, segundo Maquiavel. O príncipe virtuoso, para Maquiavel, é aquele que tem êxito em chegar e manter-se no poder. Sua virtude está em mediar as situações que a necessidade impõe e a fortuna oferece. “Assim, é preciso que, para se conservar, um príncipe aprenda a ser mau, e que se sirva ou não disso de acordo com a necessidade” (Maquiavel. O Príncipe | cap XV). “... quando um príncipe se apóia apenas na fortuna, arruína-se de acordo com as variações daquela". " Julgo feliz, também o que harmoniza sua maneira de agir com as características de cada época, e infeliz aquele cujo modo de proceder discorda dos tempos” (cap. XXV). Pode-se dizer, pois, que para o príncipe de Maquiavel, a virtude não pode ser confundida com a moral (uma relação comumente feita), embora ele possa até possuir princípios morais. Porém, no exercício de sua função, tais princípios devem (de acordo com a necessidade) ser abstraídos, devendo o príncipe agir com o máximo de esperteza e atenção à sorte.

domingo, junho 04, 2006

Liberdade e Imputabilidade Moral em Hume


Eis o resumo da minha dissertação de Mestrado, defendida na UNICAMP em 2006



A dissertação examina a análise de Hume dos conceitos de liberdade e imputabilidade moral. O texto de referência para a pesquisa é a seção VIII da Investigação sobre o entendimento humano. Mostro, a partir do estudo dessa seção, em que sentido os conceitos de liberdade e necessidade são compatíveis para Hume. Para tanto, analiso o compatibilismo humeano enfatizando a unidade explicativa que o autor esposa claramente na obra citada. De fato, Hume, em seu exame das noções de liberdade e necessidade anuncia introduzir novidades que prometem ao menos algum resultado na decisão da controvérsia entre a doutrina da necessidade e a doutrina da liberdade (da vontade). Ele propõe um ‘projeto de reconciliação’ (reconciling project) que consiste em mostrar que liberdade e necessidade são perfeitamente compatíveis entre si, e que afirmar que as ações humanas são livres não é afirmar que estejam fora do âmbito da necessidade, mas apenas que se realizaram sem constrangimento. Em seguida, esclareço as razões que conduzem à crença na vontade livre, crença esta infundada, segundo Hume. Por fim, procuro estabelecer as conseqüências que o compatibilismo humeano traz para a noção de responsabilidade moral. Hume entende que não só é perfeitamente possível explicar os juízos morais pelo seu compatibilismo, como também que o seu compatibilismo é a única alternativa de fato consistente para dar conta dos ajuizamentos que fazemos acerca da moralidade. Entendo que a explicação dos juízos morais de imputabilidade oferecida por Hume representa uma hipótese altamente persuasiva e com vigor suficiente para responder a objeções geralmente apresentadas pelos incompatibilistas.