domingo, fevereiro 08, 2026

Delta de Vênus

 “Só o batimento, em uníssono, do sexo e do coração pode criar o êxtase."

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Anaïs Nin (1903-1977), numa carta a um misterioso colecionador que, por sua vez, encomendou numerosas histórias eróticas, ao casal Henry Miller / Anaïs Nin, cuja palavra de ordem era o sexo. 

Nessa carta, datada de 1941, ela explica que sem poesia não existe amor. Aliás, acho que sem poesia não existe vida (ao menos pra mim).




sábado, janeiro 31, 2026

Nu vens

... a gente acorda cedo, observa o tempo, resolve tomar um sol, bota um biquíni, prepara tudo, lambuza-se de protetor, pega o livro, a toalha, a canga, a latinha de tabaco, o filtro, a seda, o isqueiro e a garrafa de água, (lembra que não tem chapéu, boné, essas coisas, porque não gosta mesmo de usar), e desce pra piscina. Lá, abre o guarda-sol, organiza tudo embaixo dele, prepara a espreguiçadeira, sente o ventinho fresco, esconde o celular, e pensa que vai queimar o lombo...

só que não! em menos de 10 minutos as nuvens se intrometem no cenário e toda a manhã programada sob o sol foi pro beleléu, ou, como se diz também, pras cucuias.


                                            Art by Joe Webb

domingo, janeiro 11, 2026

Do ofício de escrever





"Escrever, nesses estranhos momentos de leveza, é como dançar uma valsa muito complicada com alguém e dançá-la perfeitamente. Você gira e gira nos braços do acompanhante, trançando passos intrincados e belíssimos com os pés alados; e a música das palavras ressoa em seus ouvidos, e o mundo em torno é um cintilar de lustres de cristal e castiçais de prata, de sedas reluzentes e sapatos lustrosos, o mundo é uma voragem de brilhos e sua dança está à beira da mais completa beleza, uma volta e mais outra e você continua sem perder o compasso, é prodigioso, com todo o medo que você tem de perder o ritmo, de pisar no pé dele, de ser novamente desajeitada e humana; mas consegue dar mais um passo, e outro, e talvez outro, voando nos braços de sua própria escrita".

[Rosa Montero | A louca da casa | Tradução de Paulina Wacht e Ari Roitman | Rio de Janeiro | Ediouro, 2004 | p. 36-37].

[imagem: Francine Van Hove]

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Well, mas quem é do ofício sabe que nem sempre é assim. Há os conhecidos momentos de dureza. Períodos vazios, travados, desertos. Dias em que a "derrota da realidade" pesa mais... e não se escreve coisíssima nenhuma.